Encararar o trânsito ou deixar a bicicleta enferrujar?

Pedalar em São Paulo não é nada fácil. Encarar carros, motos, ônibus nunca me pareceu uma boa ideia – bato sempre na tecla de que o melhor é criar uma faixa exclusiva para as bikes, como existem nas capitais europeias. Ok, mas enquanto as ciclovias não contemplam pelo menos a metade da megalópole, o jeito é encarar esse trânsito louco (ou então deixar a bicicleta enferrujando, você quem escolhe).

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Eu optei por criar ainda mais laços com minha magrela querida. E já pedalei entre carros, ónibus e motos três vezes na última semana. Confesso que me surpreendi: nessas primeiras experiências, os motoristas me pareceram muito receptivos e educados. A primeira vez foi a noite, e as demais durante o dia. Posso relatar que em todas elas não tive qualquer problema com buzinas, palavrões e tudo o que costuma acompanhar a rotina frenética das grandes cidades – em especial, a de São Paulo.

Tudo bem que meus trajetos foram relativamente curtos (de 10 a 25km), mas o suficiente para quem, por exemplo, deseja ir ao trabalho utilizando o transporte mais democrático, barato e saudável de todos os tempos.

A segurança do ciclista passa também pela maneira como você quer pedalar. Eu sempre vou no meio da faixa, ocupando um espaço de um veiculo motorizado e maior. Andar pelas beiradas não me parece uma opção mais indicada, já que incentiva os motoristas a querer te ignorar de qualquer jeito. Sinalizar também faz parte do protocolo, bem como agir educadamente e sempre com atenção ao trânsito.

Por conta desse medo (aceitável, vai), minha bicicleta ficou parada durante um ano. Há quase dois, entretanto, venho pedalando todos os domingos na CicloFaixa SP. Gosto muito, mas não é o suficiente, não é mesmo? Espero manter, com segurança e cuidado, essa rotina de pedais durante a semana. Quero, inclusive, dar uma movimentada aqui no Pedal Musical.

P.S.: O próximo post será sobre as músicas que me acompanharam nessas pedaladas, combinado?

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O retorno do Oblómov

Este blog é tão disperso quanto seu criador, a pessoa por trás da máquina responsável por abastecer este espaço com deliciosas crônicas musicais em movimento. O problema é que, além de não ter se dedicado muito ao Pedal Musical, as pedaladas ficaram um tanto quanto esporádicas.  

Depois de quase dois anos vivendo em São Paulo, voltei a pedalar há pelo menos três meses. Todo final de semana. Mas o lado Oblómov novamente falou mais alto, e eu estacionei a coitada da minha magrela. Acontece que domingo passado resolvi me aventurar até o Parque do Ibirapuera (ok, não cheguei exatamente lá. Mas foi um avanço, vai).

Pouco mais de uma hora de pedalada – e muita música. Desta vez, resolvi dar continuação ao Miles Davis que ouvia em casa na noite anterior. Soltei um “shuffle” em quatro discos desse genial trompetista: Bitches Brew, Kind of Blue, Round About Midnight e Sketches of Spain. Só coisa boa!

Bem, a aventura começou com o Concierto de Aranjuez (adágio), clássico de Joaquin Rodrigo. Que maravilha, era dessa canção que eu precisava para dar o start. Depois vieram as loucuras maravilhosas de Bitches Brew e Sanctuary e o jazz incendiário de Bye Bye Blackbird, entre tantas outras delícias desse gênio da música.  

Confesso que não incomodou o fato de ter tanta gente sem nenhuma noção de leis de trânsito (e olha que não dirijo, hein?!), de o sol não ter dado “alô” e de a chuva iminente não ter caído. Voltei mais cedo com medo de não ter condições físicas e psicológicas para pedalar em meio a tanta água.

Resultado: a chuva apareceu horas depois! Mas não importo, pois voltei para casa banhado de suor, feliz e bem mais disposto. Ah, ao final da aventura, resolvi colocar o aleatório em toda a minha biblioteca musical. E foram Anthrax e Mark Lanegan quem me acompanharam no trajeto de volta.   

 

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Desculpas sinceras…

Não posso ver algo com uma bicicleta que fico louco. Camisetas, adesivos, chaveiros, brinquedos, vídeos… Tudo o que carrega a magrela faz a minha cabeça. Desde que mudei de cidade, no entanto, estou me sentindo um traidor. A paixão pela bike ainda é a mesma, mas confesso que em quase oito meses peguei a pobre coitada apenas para encher os pneus (que já esvaziaram umas três vezes nesse período). O motivo de não ter pedalado ainda? Medo, falta de confiança do trânsito caótico, ausência de uma ciclovia próxima à minha casa…

O clima agradável que faz hoje, entretanto, fez-me pensar seriamente em dar uma pedalada. Nada hard, sabe? E o novo CD do Stephen Malkmus & The Jicks (Mirror Traffic) pode ser uma boa desculpa para isso. Não vou postar nada mais profundo sobre o álbum porque ainda não o ouvi bastante.

Descobri o disco (sim, eu sou “das antigas”) numa dessas pesquisas de internet. Conheço o trabalho dele – no Pavement e em carreira solo –, sabia do lançamento, mas ainda não havia escutado. Ouvi apenas uma vez, mas o suficiente para dizer que o CD é do tipo que causa aquela sensação de “coisa boa”. Mirror traffic me parece apropriado para o que me propus: uma pedalada leve, sem pressa.

 

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Um mal chamado rótulo

Para que servem os rótulos? Sim, porque temos a mania de rotular as coisas e nem mesmo sabendo o real motivo para isso. Adolescente apaixonado por rock que era, sempre me via fazendo essa pergunta – não da mesma maneira, mas era isso que dizia nas entrelinhas. Andava com um pessoal chegado a metal, grunge e punk. Ouvíamos sempre esses estilos musicais e tal. Música pop? Nem pensar. Jazz, clássico, bossa nova? Idem.

Está bem, é muito para um jovem recém-saído da fralda falar sobre erudição (pelo menos no início dos anos 1990 era). Então, neste primeiro momento, vou me concentrar somente no rock. Meu grupo de amigos era muito ligado a rock pesado. Pesado mesmo. O “problema” era que, em casa, meu irmão gostava de umas coisas pops bem legais. Erasure, Depeche Mode, The Smiths, New Order… Identifiquei-me bastante com o som, mas nem pensar em assumir isso na frente dos amigos roqueiros. Deixei essa linhagem de lado. Mas não por muito tempo, já que o Depeche Mode – nessa década – lançou álbuns maravilhosos. Com aquele clima deprê de que tanto gosto. Resultado: me conquistou sem fazer muito esforço.

Anos depois, já trabalhando numa loja de CDs, descobri a música erudita e o jazz. Nas conversas com clientes ficava sabendo das histórias dos compositores. Esses verdadeiros gênios da música. Estava encantado com Bach, Liszt, Beethoven, entre tantos outros. Com o boom do indie rock no começo deste século, me aprofundei mais nesse estilo. Deixei de escanteio metal, grunge e Cia – menos o DM. Também descobri que a música eletrônica tinha algo de que gostava. Não me refiro a trance nem nada. Só para dar um exemplo, vou citar o Daft Punk – que é realmente muito bom.

De uns anos pra cá, voltei a escutar metal com frequencia. Às vezes até com um desejo de adolescente. Mas também ouço a mesma música pop de outrora. E cabe Bach no meio disso tudo? Claro que sim! E indie rock, bossa nova, samba, jazz, eletrônico… Agora cheguei onde queria.  Quem frequenta esse blog desde o início (ok, fiquei quase um ano sem postar nada…) sabe que se trata de uma página destinada a textos sobre música e pedalada. E que o tocador de mp3 é um iPod. Como essa ferramenta possui a opção “aleatório”, acho mais enriquecedor para ouvir música enquanto pedalo.

Pois bem, o resultado é que essa função resume um pouco minha relação com a música. No modo aleatório, é possível ouvir Depeche Mode, seguido de Megadeth, das sonatas de Bach, Chet Baker, New Order, Arcade Fire, Strokes, Nei Lopes, Muse, Alice In Chains, R.E.M., Pet Shop Boys, Black Sabbath. Resumindo: ouço música. Não importa o rótulo.  Aliás, esqueça isso. Rotular hoje em dia é tão antiquado.

P.S.: Meu sobrinho tem o mesmo gosto musical do tio aqui. Só que com 16 anos! Se influenciei? Não sei. Apenas acho que o desviei de um caminho perigoso para os iniciantes na música hoje em dia…

 

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Música: a salvação para uma vida paradoxal

Música é combustível. É ela quem me conduz. Desde criança tenho uma relação, digamos, muito profunda com essa arte. Não consigo fazer nada sem música. Caminhar, pedalar (daí a ideia do Pedal Musical), em casa, no ônibus e até no trabalho. Sim, no trabalho. Por que não? Como tenho uma profissão que permite esse tipo de privilégio, posso dizer tranquilamente que a música não me atrapalha. Só ajuda. Às vezes falta-me inspiração para aquela pauta pesada, difícil… De repente, uma melodia pode salvar o seu dia. Ali, naquela sincronia – e distorção – está o lead!

Falo isso porque a música é feita de sons e letras. Mas nem sempre essas últimas contam na inspiração. Uma música instrumental pode muito bem inspirar na hora da escrita. Neste momento, por exemplo, ouço uma faixa instrumental do Sonic Youth. Enquanto a música tocava (e eu escrevia), pensei em várias idéias legais para uma matéria. Claro que não as revelo. É algo muito particular. Deixa para a próxima resenha.

Voltando à nossa conversa inicial. Isso me vem à mente porque neste momento comparo meu ambiente de trabalho atual com o anterior. E veja que a música serve para os dois casos. Vou explicar. O lugar onde trabalhava anteriormente era efervescente. Uma alegria só. Jornalista que já passou por uma redação sabe do que falo. É legal esse tipo de clima. Mas se você está na correria para fechar aquela matéria, e não quer saber de confusão, a solução pode ser a… música! Basta colocar os fones no ouvido e se concentrar na escrita vindoura.

O atual emprego é bem diferente do que descrevi acima. Tudo muito calmo, tranquilo. Bom para refletir sobre a pauta – e otras cositas más. Porém, às vezes é preciso um pouco de barulho. Não se trata necessariamente de ouvir um metal pesado. Mas a música em si já me eleva a uma sensação de conforto. Pode ser erudita, jazz, metal, punk, pop. Coisas boas (para mim). Incrível o poder que ela tem de mexer com pessoas e situações. Não que esse ambiente novo seja chato. Pelo contrário. As pessoas são acolhedoras, bacanas. Mas quando a crise de abstinência de uma redação barulhenta ataca, o melhor é recorrer à música. A única arte capaz de transformar, por exemplo, até um metrô às 18h, em São Paulo, no melhor lugar do mundo. Experimente.

Neste momento ouço War pigs, do Black Sabbath, e me veio à mente uma época muito boa da minha vida. A minha adolescência, em Sobradinho, no Distrito Federal, posso dizer que será inesquecível. Tenho orgulho daquela época. Dos amigos que fiz. Da grana que não tínhamos. Éramos inocentes, novos, inexperientes… Mas felizes! Esse disco do Sabbath, em especial, é bastante significativo para mim, pois foi um dos primeiros LPs que ouvi deles – emprestado de um amigo. O engraçado é que agora toca uma do novo disco do Junior Boys. E foi baixado da internet… É, meus amigos, a música também é feita de paradoxos.

 

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Sobre Soundgarden, mudanças e retornos

Eles voltaram. E eu também. Chris Cornell e companhia anunciaram nesta semana o retorno do Soundgarden. Pois é, uma das bandas mais queridas da saudosa cena grunge dos anos 1990 retoma as atividades a todo vapor. Criaram até um site, o http://www.soundgardenworld.com. Por isso, escolhi o som dos caras para dar início à primeira pedalada do ano-novo, depois de meses de molho. Chuva, preguiça, mudanças … Tudo contribuiu para a minha ausência das pistas, calçadas e buracos da capital federal nos últimos 60 e poucos dias (!).

Comecei essa nova fase com Somewhere, do peso pesado Badmotorfinger. Boa opção para trilhar um novo caminho. Inicialmente, achei que seria difícil essa adaptação tão rápida – e necessária. Mas logo percebi que não será tão complicado assim cruzar eixos, eixões – pelo subsolo, claro – e tesourinhas típicas de Brasília. Soundgarden passou e cedeu espaço ao The Big Pink, que alegrou ainda mais a pedalada com a ótima Dominos (lembram dela em outras listas?).

As cantatas de Bach vieram como interlúdio para She´s a genius, do JET. Nesse instante, já havia deixado para trás carros, pessoas, cachorros e entrado em uma área verde que, para minha tristeza, não é permitida a entrada de ciclistas. Nem por isso desisti e fui até uma terceira avenida de Brasília, uma região cercada de… verdes – essa é a vantagem da nova moradia.

Bem, percorrendo o caminho de volta, compareceram à lista Iron and Wine (Bird stealing bread), Depeche Mode (Peace), ACDC (Shoot to thrill), Radiohead (Weird fishes/Arpeggi), Minus the Bear (Menphis and 53rd) e Beatles (You like me to much). Todo o trajeto durou 50 minutos – sem parada. Pouco tempo? Não para quem está retomando as atividades depois de meses parado.

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Num belo dia de sol

A chuva não dá trégua na capital federal. Nos último dias, tem sido praticamente impossível pedalar nessa cidade – sem falar na forte gripe que me atacou no fim de semana. Para tentar mudar um pouco esse clima, vamos agora cinco canções para ouvir (enquanto pedalo, claro!) num belo dia ensolarado.  Por isso, um rock australiano abre a lista. AC DC, lógico, rende pedalas incríveis. Mas eu não poderia deixar de fora o clássico Back in black. O riff dessa música é de pirar qualquer um.  Uma canção que dita o ritmo da pedalada. Não é? Ramones também não poderia faltar, nem Beatles… Bem, confiram a lista:

1- AC DC – Back in black (antes, durante e depois)

2- Ramones – Rockaway Beach

3- The Vines – Ride

4- Beatles – Taximan

5 – Nirvana – Smells like teen spirit
Deixe aqui sua lista também!

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