Música é combustível. É ela quem me conduz. Desde criança tenho uma relação, digamos, muito profunda com essa arte. Não consigo fazer nada sem música. Caminhar, pedalar (daí a ideia do Pedal Musical), em casa, no ônibus e até no trabalho. Sim, no trabalho. Por que não? Como tenho uma profissão que permite esse tipo de privilégio, posso dizer tranquilamente que a música não me atrapalha. Só ajuda. Às vezes falta-me inspiração para aquela pauta pesada, difícil… De repente, uma melodia pode salvar o seu dia. Ali, naquela sincronia – e distorção – está o lead!
Falo isso porque a música é feita de sons e letras. Mas nem sempre essas últimas contam na inspiração. Uma música instrumental pode muito bem inspirar na hora da escrita. Neste momento, por exemplo, ouço uma faixa instrumental do Sonic Youth. Enquanto a música tocava (e eu escrevia), pensei em várias idéias legais para uma matéria. Claro que não as revelo. É algo muito particular. Deixa para a próxima resenha.
Voltando à nossa conversa inicial. Isso me vem à mente porque neste momento comparo meu ambiente de trabalho atual com o anterior. E veja que a música serve para os dois casos. Vou explicar. O lugar onde trabalhava anteriormente era efervescente. Uma alegria só. Jornalista que já passou por uma redação sabe do que falo. É legal esse tipo de clima. Mas se você está na correria para fechar aquela matéria, e não quer saber de confusão, a solução pode ser a… música! Basta colocar os fones no ouvido e se concentrar na escrita vindoura.
O atual emprego é bem diferente do que descrevi acima. Tudo muito calmo, tranquilo. Bom para refletir sobre a pauta – e otras cositas más. Porém, às vezes é preciso um pouco de barulho. Não se trata necessariamente de ouvir um metal pesado. Mas a música em si já me eleva a uma sensação de conforto. Pode ser erudita, jazz, metal, punk, pop. Coisas boas (para mim). Incrível o poder que ela tem de mexer com pessoas e situações. Não que esse ambiente novo seja chato. Pelo contrário. As pessoas são acolhedoras, bacanas. Mas quando a crise de abstinência de uma redação barulhenta ataca, o melhor é recorrer à música. A única arte capaz de transformar, por exemplo, até um metrô às 18h, em São Paulo, no melhor lugar do mundo. Experimente.
Neste momento ouço War pigs, do Black Sabbath, e me veio à mente uma época muito boa da minha vida. A minha adolescência, em Sobradinho, no Distrito Federal, posso dizer que será inesquecível. Tenho orgulho daquela época. Dos amigos que fiz. Da grana que não tínhamos. Éramos inocentes, novos, inexperientes… Mas felizes! Esse disco do Sabbath, em especial, é bastante significativo para mim, pois foi um dos primeiros LPs que ouvi deles – emprestado de um amigo. O engraçado é que agora toca uma do novo disco do Junior Boys. E foi baixado da internet… É, meus amigos, a música também é feita de paradoxos.

Paranoid foi o primeiro álbum que me fez descobrir o rock e o metal e a amar a música criativa e não comercial, que passou a fazer parte da trilha sonora da minha vida aos 14 anos. Posso ficar sem TV, sem internet, sem um bom livro, mas não sem a música, seja lírica ou com o peso do metal.
Marcelino, obrigado pela sua visita! Abraços