Desculpas sinceras…

Não posso ver algo com uma bicicleta que fico louco. Camisetas, adesivos, chaveiros, brinquedos, vídeos… Tudo o que carrega a magrela faz a minha cabeça. Desde que mudei de cidade, no entanto, estou me sentindo um traidor. A paixão pela bike ainda é a mesma, mas confesso que em quase oito meses peguei a pobre coitada apenas para encher os pneus (que já esvaziaram umas três vezes nesse período). O motivo de não ter pedalado ainda? Medo, falta de confiança do trânsito caótico, ausência de uma ciclovia próxima à minha casa…

O clima agradável que faz hoje, entretanto, fez-me pensar seriamente em dar uma pedalada. Nada hard, sabe? E o novo CD do Stephen Malkmus & The Jicks (Mirror Traffic) pode ser uma boa desculpa para isso. Não vou postar nada mais profundo sobre o álbum porque ainda não o ouvi bastante.

Descobri o disco (sim, eu sou “das antigas”) numa dessas pesquisas de internet. Conheço o trabalho dele – no Pavement e em carreira solo –, sabia do lançamento, mas ainda não havia escutado. Ouvi apenas uma vez, mas o suficiente para dizer que o CD é do tipo que causa aquela sensação de “coisa boa”. Mirror traffic me parece apropriado para o que me propus: uma pedalada leve, sem pressa.

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Um mal chamado rótulo

Para que servem os rótulos? Sim, porque temos a mania de rotular as coisas e nem mesmo sabendo o real motivo para isso. Adolescente apaixonado por rock que era, sempre me via fazendo essa pergunta – não da mesma maneira, mas era isso que dizia nas entrelinhas. Andava com um pessoal chegado a metal, grunge e punk. Ouvíamos sempre esses estilos musicais e tal. Música pop? Nem pensar. Jazz, clássico, bossa nova? Idem.

Está bem, é muito para um jovem recém-saído da fralda falar sobre erudição (pelo menos no início dos anos 1990 era). Então, neste primeiro momento, vou me concentrar somente no rock. Meu grupo de amigos era muito ligado a rock pesado. Pesado mesmo. O “problema” era que, em casa, meu irmão gostava de umas coisas pops bem legais. Erasure, Depeche Mode, The Smiths, New Order… Identifiquei-me bastante com o som, mas nem pensar em assumir isso na frente dos amigos roqueiros. Deixei essa linhagem de lado. Mas não por muito tempo, já que o Depeche Mode – nessa década – lançou álbuns maravilhosos. Com aquele clima deprê de que tanto gosto. Resultado: me conquistou sem fazer muito esforço.

Anos depois, já trabalhando numa loja de CDs, descobri a música erudita e o jazz. Nas conversas com clientes ficava sabendo das histórias dos compositores. Esses verdadeiros gênios da música. Estava encantado com Bach, Liszt, Beethoven, entre tantos outros. Com o boom do indie rock no começo deste século, me aprofundei mais nesse estilo. Deixei de escanteio metal, grunge e Cia – menos o DM. Também descobri que a música eletrônica tinha algo de que gostava. Não me refiro a trance nem nada. Só para dar um exemplo, vou citar o Daft Punk – que é realmente muito bom.

De uns anos pra cá, voltei a escutar metal com frequencia. Às vezes até com um desejo de adolescente. Mas também ouço a mesma música pop de outrora. E cabe Bach no meio disso tudo? Claro que sim! E indie rock, bossa nova, samba, jazz, eletrônico… Agora cheguei onde queria.  Quem frequenta esse blog desde o início (ok, fiquei quase um ano sem postar nada…) sabe que se trata de uma página destinada a textos sobre música e pedalada. E que o tocador de mp3 é um iPod. Como essa ferramenta possui a opção “aleatório”, acho mais enriquecedor para ouvir música enquanto pedalo.

Pois bem, o resultado é que essa função resume um pouco minha relação com a música. No modo aleatório, é possível ouvir Depeche Mode, seguido de Megadeth, das sonatas de Bach, Chet Baker, New Order, Arcade Fire, Strokes, Nei Lopes, Muse, Alice In Chains, R.E.M., Pet Shop Boys, Black Sabbath. Resumindo: ouço música. Não importa o rótulo.  Aliás, esqueça isso. Rotular hoje em dia é tão antiquado.

P.S.: Meu sobrinho tem o mesmo gosto musical do tio aqui. Só que com 16 anos! Se influenciei? Não sei. Apenas acho que o desviei de um caminho perigoso para os iniciantes na música hoje em dia…

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Música: a salvação para uma vida paradoxal

Música é combustível. É ela quem me conduz. Desde criança tenho uma relação, digamos, muito profunda com essa arte. Não consigo fazer nada sem música. Caminhar, pedalar (daí a ideia do Pedal Musical), em casa, no ônibus e até no trabalho. Sim, no trabalho. Por que não? Como tenho uma profissão que permite esse tipo de privilégio, posso dizer tranquilamente que a música não me atrapalha. Só ajuda. Às vezes falta-me inspiração para aquela pauta pesada, difícil… De repente, uma melodia pode salvar o seu dia. Ali, naquela sincronia – e distorção – está o lead!

Falo isso porque a música é feita de sons e letras. Mas nem sempre essas últimas contam na inspiração. Uma música instrumental pode muito bem inspirar na hora da escrita. Neste momento, por exemplo, ouço uma faixa instrumental do Sonic Youth. Enquanto a música tocava (e eu escrevia), pensei em várias idéias legais para uma matéria. Claro que não as revelo. É algo muito particular. Deixa para a próxima resenha.

Voltando à nossa conversa inicial. Isso me vem à mente porque neste momento comparo meu ambiente de trabalho atual com o anterior. E veja que a música serve para os dois casos. Vou explicar. O lugar onde trabalhava anteriormente era efervescente. Uma alegria só. Jornalista que já passou por uma redação sabe do que falo. É legal esse tipo de clima. Mas se você está na correria para fechar aquela matéria, e não quer saber de confusão, a solução pode ser a… música! Basta colocar os fones no ouvido e se concentrar na escrita vindoura.

O atual emprego é bem diferente do que descrevi acima. Tudo muito calmo, tranquilo. Bom para refletir sobre a pauta – e otras cositas más. Porém, às vezes é preciso um pouco de barulho. Não se trata necessariamente de ouvir um metal pesado. Mas a música em si já me eleva a uma sensação de conforto. Pode ser erudita, jazz, metal, punk, pop. Coisas boas (para mim). Incrível o poder que ela tem de mexer com pessoas e situações. Não que esse ambiente novo seja chato. Pelo contrário. As pessoas são acolhedoras, bacanas. Mas quando a crise de abstinência de uma redação barulhenta ataca, o melhor é recorrer à música. A única arte capaz de transformar, por exemplo, até um metrô às 18h, em São Paulo, no melhor lugar do mundo. Experimente.

Neste momento ouço War pigs, do Black Sabbath, e me veio à mente uma época muito boa da minha vida. A minha adolescência, em Sobradinho, no Distrito Federal, posso dizer que será inesquecível. Tenho orgulho daquela época. Dos amigos que fiz. Da grana que não tínhamos. Éramos inocentes, novos, inexperientes… Mas felizes! Esse disco do Sabbath, em especial, é bastante significativo para mim, pois foi um dos primeiros LPs que ouvi deles – emprestado de um amigo. O engraçado é que agora toca uma do novo disco do Junior Boys. E foi baixado da internet… É, meus amigos, a música também é feita de paradoxos.

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Um vídeo interessante

Pessoas, enquanto não volto a pedalar, um vídeo interessante sobre música e pedal. Enjoy!

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Sobre Soundgarden, mudanças e retornos

Eles voltaram. E eu também. Chris Cornell e companhia anunciaram nesta semana o retorno do Soundgarden. Pois é, uma das bandas mais queridas da saudosa cena grunge dos anos 1990 retoma as atividades a todo vapor. Criaram até um site, o www.soundgardenworld.com. Por isso, escolhi o som dos caras para dar início à primeira pedalada do ano-novo, depois de meses de molho. Chuva, preguiça, mudanças … Tudo contribuiu para a minha ausência das pistas, calçadas e buracos da capital federal nos últimos 60 e poucos dias (!).

Comecei essa nova fase com Somewhere, do peso pesado Badmotorfinger. Boa opção para trilhar um novo caminho. Inicialmente, achei que seria difícil essa adaptação tão rápida – e necessária. Mas logo percebi que não será tão complicado assim cruzar eixos, eixões – pelo subsolo, claro – e tesourinhas típicas de Brasília. Soundgarden passou e cedeu espaço ao The Big Pink, que alegrou ainda mais a pedalada com a ótima Dominos (lembram dela em outras listas?).

As cantatas de Bach vieram como interlúdio para She´s a genius, do JET. Nesse instante, já havia deixado para trás carros, pessoas, cachorros e entrado em uma área verde que, para minha tristeza, não é permitida a entrada de ciclistas. Nem por isso desisti e fui até uma terceira avenida de Brasília, uma região cercada de… verdes – essa é a vantagem da nova moradia.

Bem, percorrendo o caminho de volta, compareceram à lista Iron and Wine (Bird stealing bread), Depeche Mode (Peace), ACDC (Shoot to thrill), Radiohead (Weird fishes/Arpeggi), Minus the Bear (Menphis and 53rd) e Beatles (You like me to much). Todo o trajeto durou 50 minutos – sem parada. Pouco tempo? Não para quem está retomando as atividades depois de meses parado.

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Num belo dia de sol

A chuva não dá trégua na capital federal. Nos último dias, tem sido praticamente impossível pedalar nessa cidade – sem falar na forte gripe que me atacou no fim de semana. Para tentar mudar um pouco esse clima, vamos agora cinco canções para ouvir (enquanto pedalo, claro!) num belo dia ensolarado.  Por isso, um rock australiano abre a lista. AC DC, lógico, rende pedalas incríveis. Mas eu não poderia deixar de fora o clássico Back in black. O riff dessa música é de pirar qualquer um.  Uma canção que dita o ritmo da pedalada. Não é? Ramones também não poderia faltar, nem Beatles… Bem, confiram a lista:

1- AC DC – Back in black (antes, durante e depois)

2- Ramones - Rockaway Beach

3- The Vines – Ride

4- Beatles - Taximan

5 – Nirvana – Smells like teen spirit
Deixe aqui sua lista também!

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Músicas perfeitas para um dia nublado

Voltando àquelas listas que vinha fazendo ultimamente. Desta vez, resolvi direcionar a coisa: quais músicas não podem faltar num dia nublado? A vai minha lista:

1- To the sky – Maps (para iniciar a pedalada)

2- Cynthia – Soap & Skin

3- Harmless sparks – David Bazan

4-The animator – Junior Boys (já aquecido!)

5- Yesterday – Beatles (em qualquer tempo!).

Gostou da lista? E na sua, o que não pode faltar?

Na próxima lista, as cinco canções essenciais para um dia de sol!

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O anti-herói do pedal

Quando me perguntam sobre meu blog e falo que é sobre música e pedalada, a primeira coisa que geralmente dizem é: “Que legal, Ronaldo, não sabia que você pedalava!”.  Pedalo, claro, mas não sou um atleta. Muita gente liga a palavra (pedalada) a uma coisa profissional. Já eu me vejo como um anti-herói do pedal. Não uso capacete, tampouco aquelas roupas apertadas – somente agora é que comprei uma luva, visto que calo é uma coisa comum a quem anda de bicicleta. Sou aquele cara que roda pela cidade a pensar na vida, sem se preocupar com rótulos e tal. Nada contra os atletas, mas prefiro me definir como alguém que ama música e bike, só isso.

A música me proporciona uma felicidade incrível, bem como andar de bike. Juntando os dois prazeres, me sinto o cara mais livre do mundo. Podem buzinar, me xingar, gritar… Não ouço nada mesmo! Quando quero escutar algum barulho que não seja alguma canção, vou para lugares ermos, cheios de verde e pássaros. Ali, peço licença à música e desligo o iPod. Reflito um pouco, converso com a natureza e depois volto a minha rotina. Com música e pedalada.

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Uma pedalada diferente

O ato de pedalar deve ser o mesmo, certo? O que, então, torna uma pedalada diferente da outra? A aventura, meus amigos! Tá, não foi somente por isso. Mas já explico. Trabalho a alguns minutos da minha casa, mas NUNCA tinha ido de bicicleta. Sempre na dependência de ônibus, carona, etc – não dirijo, apesar de ter um carro em casa! Ontem, conversando com um amigo da Redação que mora próximo  a minha casa, decidimos que iríamos trabalhar de bike nesta sexta.

Ok, cada um na sua, certo? “Não”, ele disse. “Vamos na minha bicicleta dupla!”. Beleza, topei o desafio. Marcamos um horário, mas ele se atrasou. Quando estava quase desistindo, meu colega me liga e diz que em pouco tempo estaria em casa. Saimos um pouco atrasado, claro. Mas chegamos a tempo. No início, fiquei trêmulo. Nunca havia andado nunca bicicleta dessas! Mas logo fui me acostumando. Apesar da falta de equilíbrio inicial.

O percurso – totalmente inédito para mim, diga-se de passagem -foi feito em menos de 20 minutos. Ao longo do caminho, curiosos nos olhavam, parecia que estávamos numa nave especial. Claro que nem liguei para isso, mas confesso que foi uma experiência e tanto. Como havíamos combinado retornamos juntos. Desta vez, porém, chegamos bem mais cedo. Combinamos mais pedaladas nesse estilo. Já para a próxima semana.

A trilha sonora? Infelizmente, por respeito ao meu amigo, não liguei o iPod. Por isso, escrevo ao som enérgico de Kasabian (Empire). Mas se tivesse que escolher uma canção (ou um ritmo) para tocar durante a pedalada, certamente seria algo mais calmo. Lizt ou Beethoven, talvez.

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Encarando o calor

Esse calor que tem feito em Brasília está me deixando louco. Não consigo pedalar! Mas, depois de alguns dias afastado, resolvi encarar esse clima. Aproveitei que hoje estava de folga, peguei minha bike, meu iPod (claro!) e saí pela cidade no fim da tarde. Thurston Moore abriu essa peregrinação com a distorcida Trees outside the academy. Depois, ele ainda me acompanhou com sua banda (Sonic Youth) em Thunder clap. Antes, porém, veio a nova banda do ex-Smiths Jhonny Marr, The Cribs. Hari Kari na aventura sobre o concreto. David Bazan (olha ele aí!), compareceu em seguida com Lost my space. O incansável Jack Write também me guiou nesse trajeto. Rocking horse é daquelas músicas que animam qualquer metido a atleta – eu, no caso.

Ludov (essa,  a Bruna vai gostar!) deixou o clima ameno com Mecanismo. Parada para um suco de beterraba. Os canandenses Junior Boys (estou amando o som deles) me mostraram que Sneak a picture poderá aparecer nas próximas listas em breve. E eles encerraram a mini-pedalada (30 minutos) com Bits & pieces - Ambas as  duas canções estão no último disco deles, Begone dull care. Ainda deu tempo para Neil Young (Words) e Eagles of Death Metal (Solid gold e Don’t speak). Bom, não?

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